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Entrevista ao jornal A Crítica: 'Marco histórico no Amazonas' - Muni Lourenço fala sobre reconhecimento do AM como zona livre de febre aftosa com vacinação

Data: 11/12/2017 14:33

AC: Presidente Muni, como o senhor vê a conquista do Amazonas certificado como unidade federativa sem risco de aftosa com vacinação?

ML: Sem dúvida o reconhecimento nacional de livre de aftosa com vacinação representa uma grande conquista para a pecuária amazonense, afinal foi mais de meio século de árduos esforços do setor privado e do Governo do Estado e Ministério da Agricultura para o alcance dessa meta. Esse reconhecimento fortalece o crescimento da atividade criatória em nosso Estado, abrindo novas perspectivas e um horizonte extremamente promissor para o segmento e para o nosso Estado como um todo, que tanto necessita interiorizar e diversificar sua economia. O reconhecimento de livre de aftosa sobretudo representa mais geração de emprego e renda no interior do Amazonas.

AC: O que isso vai mudar no cenário do agronegócio amazonense?

ML: Com o novo status sanitário de livre com vacinação teremos a curto prazo a valorização entre 20% a 30% da carne do rebanho local, bem como, dos laticínios produzidos no Amazonas. Além disso, essa certificação representará melhoramento genético do rebanho e diminuição dos níveis de importação de carne para os consumidores amazonenses. Sem falar que agora a pecuária amazonense e criatórios hoje existentes no Estado especializados em animais de excelência e de material genético animal poderão exportar embriões até para outros países e até mesmo exportar gado vivo como já faz o Estado vizinho do Pará.

AC: Como a FAEA vai atuar para que o rebanho cresça em bases sustentáveis no Amazonas?

ML: A Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas – FAEA vem incentivando junto à classe pecuária a adoção de tecnologias que compatibilizam o aumento de produtividade em consonância com o desenvolvimento sustentável. A tendência da pecuária no Brasil e no Amazonas é de crescimento verticalizado, isto é, aproveitando e recuperando áreas já abertas, degradadas ou em processo de degradação, sem pressionar por abertura de novas áreas. Nesse sentido, temos apoiado e difundido junto aos pecuaristas técnicas de intensificação da atividade, por meio de tecnologias como a Integração Lavoura Pecuária Floresta – ILPF e o Projeto Balde Cheio, tecnologias estas que promovem avanços significativos de produtividade, saindo de uma taxa de lotação animal de uma cabeça de gado por hectare para até doze reses na mesma área. Nosso Estado tem 97 % de sua cobertura vegetal intacta e estamos convencidos que podemos crescer em nossa produção agropecuária sem gerar novos desmatamentos ilegais, para isso fundamental a disseminação da tecnologia. Lembrando que o produtor rural e o pecuarista amazonense mantém 80% das propriedades rurais privadas como reserva legal, contribuindo decisivamente com o meio ambiente e o bem da sociedade em geral.

AC: Com essa certificação, como o senhor acredita que vai melhorar a qualidade genética do rebanho?

ML: Antes da certificação de livre de aftosa com vacinação o segmento enfrentou rigorosas restrições de trânsito animal com outros Estados já considerados livres, com isso reprodutores e matrizes de melhor padrão genético oriundos de outros Estados não chegavam ao Amazonas e estiveram ausentes por anos de exposições agropecuárias. Agora com a certificação isso foi superado e voltaremos a ter maior disponibilização de oferta ampla de genética animal para os pecuaristas amazonenses, com isso, serão melhorados os índices zootécnicos do rebanho, incrementando a produtividade na pecuária de corte e na pecuária de leite.

AC: O ministro do MAPA, Blairo Maggi, disse que o grupo Amaggi pode ajudar a abastecer o Amazonas com milho, farelo de soja, casca de soja e outros insumos, desde que a Receita Federal permita que os grãos que entram no Terminal Graneleiro de Itacoatiara (Hermasa), possam ser repassados para os produtores locais de forma legal. O que está sendo feito nesta direção?

ML: Essa demanda é fundamental para a viabilização e consolidação dos diversos segmentos da atividade pecuária no Estado. O milho, a casca de soja, o farelo de soja e o caroço de algodão são insumos básicos para as rações utilizadas pela avicultura, para a bovinocultura, a piscicultura, a bubalinocultura, a suinocultura e a ovinocapinocultura e para isso estamos contando com o apoio anunciado pelo Ministro Blairo Maggi, a partir de pleito do setor produtivo rural e Governo do Estado, de ampliação da oferta desses grãos e subprodutos via Terminal Graneleiro de Itacoatiara, afinal nossa produção no Amazonas de milho e soja ainda é pequena e não atende a demanda dos segmentos produtivos. Nessa direção a Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas – FAEA estará participando das reuniões propostas pelo Ministro Blairo Maggi com representantes do Grupo AMaggi e Governo do Estado do Amazonas sobretudo para encontrar soluções que venham a superar questões burocráticas da esfera tributária que estão hoje impedindo essa comercialização.

AC: No dia 12 de dezembro de 2017 o senhor vai assumir como Segundo vice presidente na CNA. O que isso representa para o senhor regionalmente e nacionalmente ? Como o senhor poderá contribuir mais para o fortalecimento do agronegócio local e federal, com base em sua experiência de produtor rural da Amazônia?

ML: Primeiro representa um posição honrosa que procurarei ocupar com denodo e responsabilidade junto à Entidade máxima da agropecuária brasileira, na qual espero inserir de forma mais efetiva na pauta de atuação da CNA às peculiaridades, a visão e as necessidades dos produtores rurais de uma região que precisa desenvolver economicamente a produção de alimentos e de outro lado não descuidar de seu patrimônio ambiental.

AC: O senhor é o presidente da Comissão Nacional do Meio Ambiente da CNA. Como o senhor está agindo para encontrar o equilíbrio entre os ambientalistas e os produtores de alimentos na Amazônia?

ML: Para nós produtores rurais não há antagonismo e contradição entre produzir alimentos e desenvolver o meio ambiente de forma sustentável. Nesse sentido, a grande solução para essa equação é o acesso pleno do empreendedor rural às tecnologias hoje disponíveis e produzidas pelas instituições científicas, com destaque para esse verdadeiro orgulho nacional que é a Embrapa. Na Comissão Nacional do Meio Ambiente da CNA, principal colegiado do agronegócio nacional de debates das questões ambientais, temos buscado implementar uma pauta concreta de ações e de diálogo com os órgãos públicos e organismos nacionais e internacionais buscando identificar convergências e melhorias para a produção rural. Além disso, temos intensificado projetos de produção rural sustentável como o Projeto Biomas, o Programa de Recuperação de Áreas Degradadas – PRADAM e Programa de Agricultura de Baixo Carbono no bioma Cerrado – ABC Cerrado.

AC: O que o senhor pensa sobre a Agricultura e Pecuária de baixo carbono?

ML: O Brasil hoje possui um excelente programa contemplando o fomento e financiamento a adoção de técnicas de produção agropecuária de baixo carbono, é o chamado Programa ABC, e nós somos plenamente favoráveis a esse programa pois ele alia sustentabilidade ambiental e maior rentabilidade na atividade rural, isso a partir das técnicas de Integração Lavoura Pecuária Floresta – ILPF, plantio direto, recuperação de áreas degradadas e fixação de nitrogênio. Temos defendido inclusive junto ao Governo Federal ajustes que possam aprimorar esse Programa e principalmente ampliar o acesso dos produtores rurais da nossa região a esses financiamentos, principalmente a partir da flexibilização da exigência da garantia real ou da regularização fundiária, que ainda é um entrave para boa parte do universo de produtores, que ainda não detém seu documento da terra, por motivos alheios à sua vontade.

AC: O governador Amazonino Mendes tem como uma de suas prioridades de governo aumentar a participação do PIB do setor primário, para diminuir a dependência do Polo Industrial de Manaus. O que a Faea está fazendo nesta direção?

ML: A FAEA enquanto Entidade de classe do setor agropecuário tem mantido atuação proativa e propositiva visando sensibilizar permanentemente as autoridades constituídas da importância da priorização das políticas públicas voltadas ao setor rural, notadamente para que possamos diminuir esse alto grau de dependência econômica da Zona Franca de Manaus, para que nosso Estado possa desconcentrar sua economia da capital e tenhamos mais geração de emprego e renda no municípios do interior e nesse contexto o setor primário se demonstra como uma atividade extremamente viável, a partir de mais investimentos e apoio técnico e em infraestrutura. Para a FAEA é mais do que chegada a hora da interiorização da economia sem que isso represente comprometimento da atividade industrial do PIM.

Entrevista: Antônio Ximenes - Jornal A Crítica

Publicado no dia 10 de dezembro de 2017

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